Dia do imigrante: história da imigração e o Enem
- Kauana Kempner

- há 11 horas
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Quando pensamos na imigração, é comum lembrar das pessoas que deixaram seus países em busca de melhores oportunidades. No entanto, a influência dos imigrantes vai muito além da formação cultural e econômica do Brasil. Ao longo da história, professores, cientistas, pesquisadores e estudantes vindos de diversas partes do mundo contribuíram para o desenvolvimento da educação brasileira, ajudando a construir universidades, produzir conhecimento e formar gerações de profissionais.
Celebrado em 25 de Junho, o Dia do Imigrante é uma oportunidade para reconhecer essas contribuições e refletir sobre um tema que também aparece com frequência no Enem. Neste artigo, você vai entender o que é o Dia do Imigrante, conhecer a história da imigração no Brasil e descobrir como o assunto pode ser cobrado na prova.

1. O que é o Dia do Imigrante?
O Dia do Imigrante é comemorado em 25 de junho e homenageia as pessoas que deixaram seus países de origem para construir uma nova vida em outro território. A data foi instituída pelo Decreto nº 30.128, de 14 de novembro de 1957, emitido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, como forma de reconhecer a contribuição dos imigrantes para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Brasil.
Ao longo da história, diferentes grupos migratórios ajudaram a formar a identidade brasileira, trazendo costumes, idiomas, conhecimentos técnicos e experiências que influenciaram diversos setores da sociedade, incluindo a educação.
2. Breve histórico da imigração no Brasil
A imigração é caracterizada pelo deslocamento de pessoas de uma região ou país para outra, geralmente motivado por fatores econômicos, políticos, sociais ou ambientais. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), mais de 115 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de deslocamento forçado em todo o mundo. Entre elas estão refugiados, solicitantes de refúgio e pessoas deslocadas por conflitos, perseguições ou desastres ambientais.
No Brasil, a imigração ganhou força após a abertura dos portos às nações amigas, decretada por D. João VI em 1808. A partir do século XIX, o país passou a receber um grande número de imigrantes europeus, especialmente italianos, alemães, portugueses, espanhóis e, posteriormente, japoneses.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) indicam que cerca de cinco milhões de estrangeiros chegaram ao território brasileiro entre 1884 e 1959. Após uma redução dos fluxos migratórios durante parte do século XX, o país voltou a registrar crescimento no número de imigrantes e refugiados nas últimas décadas. O Relatório em Números, apontou que entre 2015 e 2024 o Brasil registrou mais de 400 mil solicitações de refúgio, de 175 países diferentes.
Atualmente, os principais grupos de imigrantes que chegam ao Brasil são originários de países latino-americanos, especialmente Venezuela, Haiti e Bolívia, conforme dados trazidos pelo jornal da USP, esse índice chega aos 72%. Além de pessoas vindas de diferentes regiões do mundo em busca de proteção ou melhores oportunidades.
3. Crescimento dos estudantes imigrantes nas universidades
A presença de estudantes imigrantes nas universidades brasileiras tem crescido nos últimos anos. Esse movimento é impulsionado por acordos de cooperação internacional, programas de intercâmbio acadêmico e iniciativas voltadas ao acolhimento de refugiados e migrantes.
Entre os fatores que favorecem esse cenário estão os acordos firmados entre os países do Mercosul, programas de cooperação do Sul Global e iniciativas voltadas para países de língua portuguesa.
Essas ações ampliam as oportunidades de acesso ao ensino superior e fortalecem o intercâmbio de conhecimentos entre diferentes culturas.
Além de enriquecer o ambiente acadêmico, a diversidade de experiências e perspectivas contribui para a formação de profissionais mais preparados para atuar em uma sociedade mais globalizada.

4. Imigrantes que transformaram a educação brasileira
Ao longo da história, imigrantes como jesuítas (espanhóis e portugueses), alemães, italianos, japoneses, etc., desempenharam um papel importante no desenvolvimento da educação e da pesquisa científica no Brasil.
4.1 Gleb Wataghin
O físico russo-italiano, é considerado o pioneiro da física moderna no Brasil. Ele foi o formador das primeiras gerações do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo. Atualmente o Instituto de Física da Unicamp, carrega seu nome.
Poeta italiano, que fundou o movimento hermético, o qual provocou uma reorientação na poesia italiana moderna. Entre 1936 a 1942, lecionou literatura italiana na Universidade de São Paulo. Também foi membro das missões culturais europeias que ajudaram a estruturar a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, por meio da introdução de métodos inovadores de crítica textual e uma visão aprofundada da literatura. Após seu retorno a Itália se tornou um grande divulgador da cultura brasileira, realizando traduções de autores modernos, como Oswald de Andrade e de lendas indígenas, o que projetou nossa literatura internacionalmente.
Integrou a missão francesa fundadora da Universidade de São Paulo (USP) em 1935. Ajudou a institucionalizar as ciências sociais no país e sua obra promoveu o combate ao etnocentrismo e o respeito à diversidade cultural nos currículos. Documentou profundamente os povos Bororo, Kadiwéu e Nambikwara, trazendo novas compreensão sobre as sociedades originárias, impulsionando a pesquisa antropológica e as políticas ligadas às leis de ensino da história indígena.
4.4 José Anchieta
Integrou a comitiva jesuíta no Brasil Colonial a partir de 1533, tornando-se um dos fundadores de São Paulo e do Rio de Janeiro. Pioneiro na organização da educação e da catequese no país, foi responsável pela elaboração da primeira gramática da língua tupi antiga, utilizando o teatro e a poesia como ferramentas pedagógicas. Sua atuação e seus registros documentam os primórdios do contato intercultural, tornando sua figura um elemento central no debate sobre a formação social, a história da educação e as dinâmicas de contato com os povos originários na história brasileira.
4.5 Emília Ferreiro
Psicóloga e pedagoga argentina, revolucionou o campo da educação no Brasil a partir da década de 1980 com suas pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita, desenvolvidas sob a orientação de Jean Piaget. Principal expoente do construtivismo na alfabetização, sua obra propôs a sua superação dos métodos tradicionais e das cartilhas baseadas em memorização, demonstrando que a criança é um sujeito ativo que constrói hipóteses próprias sobre o sistema de escrita. Suas teorias transformaram profundamente a formação docente, os currículos de pedagogia e as práticas de ensino em sala de aula de todo o país.
5. Imigração no Enem
5.1 Por que estudar imigração para o Enem
A imigração é um tema interdisciplinar e pode aparecer em diferentes áreas do conhecimento no Enem, especialmente em História, Geografia, Sociologia e Redação. O assunto está relacionado a debates contemporâneos sobre globalização, direitos humanos, diversidade cultural, crises humanitárias e mudanças climáticas. Por isso, compreender os fluxos migratórios e seus impactos sociais é essencial para uma preparação completa.
5.2 Como a imigração aparece no Enem?
Confira alguns dos temas mais recorrentes relacionados à imigração nas provas do Enem:
Crise imigratória: questões sobre a temática costumam abordar os deslocamentos populacionais causados por guerras, crises econômicas, perseguições políticas e conflitos internacionais. Também podem envolver debates sobre xenofobia, integração social e políticas de fronteira.
Refugiados climáticos: as mudanças climáticas têm provocado eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes e elevação do nível do mar. Esses fenômenos forçam milhares de pessoas a deixarem suas regiões de origem, tornando os refugiados climáticos um tema cada vez mais relevante.
Direitos humanos: a proteção aos migrantes e refugiados está diretamente relacionada aos direitos humanos. O Enem costuma explorar questões ligadas ao acesso à cidadania, combate à discriminação e garantia de direitos fundamentais.
Diversidade cultural: a convivência entre diferentes culturas é um dos temas mais frequentes nas áreas de Sociologia e Artes. Conceitos como alteridade, multiculturalismo e combate ao etnocentrismo aparecem regularmente nas avaliações.
6. FAQ - Perguntas frequentes sobre imigração
Qual é a diferença entre imigrante e emigrante?
Imigrante é a pessoa que chega a um país para viver nele. Emigrante é quem deixa seu país de origem para morar em outro lugar.
Quando é comemorado o Dia do Imigrante?
No Brasil, o Dia do Imigrante é celebrado em 25 de junho.
A imigração pode ser tema da redação do Enem?
Sim. O tema pode aparecer diretamente ou servir como repertório para discussões sobre direitos humanos, diversidade cultural, refugiados, xenofobia e mudanças climáticas.
Compreender a imigração é fundamental não apenas para conhecer a história do Brasil, mas também para interpretar debates atuais que impactam milhões de pessoas em todo o mundo. Por isso, o tema continua sendo uma aposta relevante para quem deseja se preparar para o Enem e os vestibulares.
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