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Dia Mundial de Combate ao Bullying e a importância da data

há 1 hora
8 min de leitura

Conflitos entre crianças e adolescentes podem acontecer durante o processo de convivência e desenvolvimento. No entanto, quando agressões, humilhações, ameaças ou provocações se tornam intencionais, repetitivas e envolvem uma relação de desequilíbrio de poder, a situação pode se caracterizar bullying.

O Dia Mundial de Combate ao Bullying, celebrado em 20 de outubro, é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre o problema e reforçar a importância da prevenção, principalmente nas escolas onde as agressões são mais frequentes. A data também chama a atenção para o papel da família, das instituições de ensino e de toda a sociedade no combate à violência. 

Mas, afinal, o que é bullying? Quais são os tipos? Quais as consequências para as vítimas e como combater essa prática? Confira neste artigo.

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1. O que é o bullying?

Bullying é uma forma de violência caracterizada por comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, praticados individualmente ou em grupo contra uma ou mais pessoas.


Essas ações podem envolver violência física e/ou psicológica, humilhação, intimidação, discriminação, perseguição e outras formas de agressão. Em geral, existe uma relação de desequilíbrio de poder entre quem pratica e quem sofre a violência.


1.1 De onde vem o termo bullying?

O termo bullying ganhou destaque a partir dos estudos do psicólogo norueguês Dan Olweus, considerado um dos pioneiros nas pesquisas sobre violência e bullying entre estudantes. Seus estudos contribuíram para a compreensão do fenômeno e para o desenvolvimento de programas de prevenção e combate ao bullying nas escolas. 


2. Quais são os tipos de Bullying?

O bullying pode assumir diferentes formas. Ele não acontece somente por meio de agressões físicas: palavras, ameaças, boatos, exclusão social e até ações realizadas pela internet também podem fazer parte desse tipo de violência.  


Embora o bullying seja frequentemente associado ao ambiente escolar, ele também pode ocorrer em outros espaços de convivência. Além disso, quando essas agressões acontecem por meio da internet, redes sociais, aplicativos, jogos online ou outros ambientes digitais, são caracterizadas como cyberbullying.


Conheça alguns dos principais tipos de bullying:

  • Bullying verbal: ocorre por meio de insultos, xingamentos, apelidos ofensivos, ameaças e outras agressões feitas com palavras;

  • Bullying físico: envolve agressões físicas, seja empurrão, bater, chutes, etc;

  • Bullying material: acontece quando o agressor rouba, danifica ou destrói bens pessoas da vítima;

  • Bullying moral: envolve boatos, difamações, calúnias e outras ações destinadas a prejudicar a reputação de alguém;

  • Bullying sexual: pode envolver comentários, constrangimento, assédios ou outras formas de violência de natureza sexual;

  • Bullying psicológico: inclui ameaças, chantagem, manipulação, exclusão, perseguição, e exclusão;

  • Cyberbullying: ocorre no ambiente digital, por meio de redes sociais, aplicativos, jogos online e outras plataformas.


É importante lembrar que diferentes formas de bullying podem ocorrer simultaneamente. Uma vítima, pode, por exemplo, sofrer agressões físicas na escola e também ser alvo de humilhações nas redes sociais.


Se você está passando por uma situação de bullying, procure ajuda. Converse com um professor, familiar ou outro adulto de confiança.


3. Quais são as consequências do bullying?

As consequências do bullying podem afetar diferentes áreas da vida da vítima. Os impactos podem aparecer na saúde emocional, no desempenho escolar, na convivência social e até na saúde física. Por isso, identificar os sinais e buscar ajuda o quanto antes é fundamental. 


3.1 Impactos emocionais 

A exposição frequente a situações de humilhação e violência pode provocar sofrimento emocional. Entre os possíveis impactos estão ansiedade, baixa autoestima, medo, insegurança, tristeza e isolamento.

Em situações mais graves, o sofrimento pode estar associado ao desenvolvimento ou agravamento de problemas de saúde mental.


3.2 Impacto acadêmico

O bullying também pode prejudicar a vida escolar. O medo de frequentar a escola, a dificuldade de concentração, a perda de interesse em participar de atividades escolares e a queda no desempenho acadêmico são algumas consequências que podem aparecer.

Em casos mais graves, a vítima pode começar a faltar às aulas ou até abandonar os estudos como uma tentativa de escapar do ambiente hostil.


3.3 Impacto físico 

A violência física pode provocar lesões, machucados ou outros danos à saúde. Além disso, situações prolongadas de estresse podem estar associadas a sintomas físicos, como dores de cabeça, dificuldade para dormir e outros sinais de sofrimento. 


3.4 Impacto social

A vítima de bullying pode passar a evitar situações de convivência por medo de novas agressões e humilhações. Como consequência, pode ocorrer isolamento social, dificuldade de estabelecer relacionamentos e perda da confiança em outras pessoas.

Por isso, familiares, professores e responsáveis devem ficar atentos a mudanças significativas de comportamento.


3.4 Impactos a longo prazo

Os efeitos do bullying não necessariamente desaparecem quando as agressões terminam. Dependendo da situação e do suporte recebido, experiências de violência podem continuar afetando a autoestima, os relacionamentos e o bem-estar emocional da vítima.

Por este motivo, o combate ao bullying deve envolver não apenas a interrupção das agressões, mas também o acolhimento, acompanhamento e prevenção de novos episódios.


4. Casos de Bullying no Brasil

O bullying continua sendo um problema relevante entre os estudantes brasileiros. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,2% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram ter sofrido bullying duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa. 


O percentual representa um aumento de 23% em relação a 2019. A procura também mostrou diferenças entre meninos e meninas. Entre as meninas, 30,1% afirmaram ter sido vítimas de bullying, enquanto entre os meninos o percentual foi de 24,3%. Entre os principais motivos relatados pelos estudantes estão a aparência do rosto ou do cabelo (30,2%) e a aparência do corpo (24,7%). 


Os dados demonstram que o bullying é um problema presente tanto em escolas públicas quanto privadas e reforçam a necessidade de ações de prevenção e acolhimento.


5. Legislação de combate ao bullying

O combate ao bullying no Brasil conta com diferentes instrumentos legais. Um dos principais marcos foi a Lei 13.185/2015, que estabeleceu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) e definiu medidas de prevenção e enfrentamento desta prática. 


Em 2018, a Lei 13.663 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para incluir entre as atribuições das escolas a promoção de medidas de conscientização, prevenção e combate de todos os tipos de violência, especialmente o bullying. 

Outro avanço importante ocorreu por meio da Lei 14.811/2024, que estabeleceu medidas de proteção para crianças e adolescentes contra a violência em estabelecimentos educacionais ou similares e alterou o Código Penal. A legislação passou a prever no Código Penal o crime de intimidação sistemática (bullying). De acordo com o artigo 146-A, a prática pode resultar em multa, caso a conduta não constitua crime mais grave. 


Já o cyberbullying possui uma previsão específica. Quando a intimidação sistemática ocorre por meio de rede de computadores, redes sociais, aplicativos, jogos online ou ambientes digitais, a pena prevista é de reclusão de 2 a 4 anos e multa, quando não houver crimes mais graves.


Portanto, é importante compreender que o bullying e o cyberbullying não são apenas problemas de convivência. Dependendo das circunstâncias, determinadas condutas podem configurar crimes e gerar responsabilização.


6. Como combater o bullying?

O combate ao bullying exige a participação conjunta de família, escola, poder público e sociedade. Mais do que apenas punir, devemos buscar interromper o ciclo de violência, proteger a vítima e promover uma cultura de respeito.


6.1 O que a escola pode fazer para combater o bullying?

Nas instituições de ensino, é importante desenvolver ações permanentes de prevenção, conscientização e acolhimento. Professores e funcionários também precisam estar preparados para reconhecer situações de violência e saber como agir diante delas. A escola deve ser um espaço seguro, no qual os estudantes possam aprender e conviver sem medo de sofrer humilhações ou agressões. 


Entre as medidas que podem contribuir para a prevenção e o combate ao bullying estão: 

  • promover campanhas de conscientização;

  • incentivar o diálogo entre estudantes, professores e familiares;

  • estabelecer regras claras contra práticas de violência;

  • criar canais seguros para denúncias;

  • capacitar profissionais para identificar sinais de bullying;

  • acolher vítimas e testemunhas;

  • orientar os estudantes sobre o uso responsável da internet;

  • envolver as famílias nas ações de prevenção.


6.2 Qual o papel da família no combate ao bullying?

A família também tem um papel importante. Mudanças repentinas no comportamento, resistência em frequentar a escola, isolamento e queda no rendimento escolar podem indicar que alguma situação está acontecendo.


Por isso, é importante manter um ambiente no qual crianças e adolescentes se sintam seguros para falar sobre seus problemas. 


7. Perguntas frequentes - FAQ


  • Qual a diferença entre Bullying e Cyberbullying?

O bullying envolve comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, que podem ocorrer presencialmente e assumir diferentes formas, como violência física, verbal, moral ou psicológica. Já o cyberbullying ocorre no ambiente digital, utilizando redes sociais, aplicativos, jogos online ou outras plataformas para intimidar, humilhar, ameaçar ou discriminar a vítima.


  • Como saber se meu filho está sofrendo Bullying?

Nem sempre uma criança ou adolescente consegue falar diretamente sobre o que está acontecendo. Por isso, familiares e responsáveis devem observar mudanças de comportamento. Alguns sinais que podem indicar que algo não está bem incluem:


  • medo ou resistência em ir à escola;

  • isolamento social;

  • queda repentina no desempenho escolar;

  • alterações no sono;

  • perda ou aumento significativo do apetite;

  • ansiedade ou irritabilidade;

  • mudanças abruptas de comportamento;

  • queixas frequentes de dores de cabeça ou outros sintomas físicos;

  • aparecimento de machucados sem explicação;

  • perda ou danos frequentes em objetos pessoais;

  • pedidos incomuns de dinheiro.


Esses sinais isoladamente, não comprovam que a criança esteja sofrendo bullying. No entanto, quando aparecem de forma repentina ou persistente, merecem atenção.

A melhor abordagem é conversar com a criança ou adolescente com acolhimento, sem culpá-lo pela situação. Caso exista suspeita de bullying, a família deve procurar a escola e, quando necessário, profissionais especializados.


  • O que fazer quando uma criança sofre bullying?

O primeiro passo é ouvir a criança ou adolescente e demonstrar que ele não está sozinho. A família deve procurar a escola para comunicar o que está acontecendo e buscar medidas de proteção. Em situações graves, também pode ser necessário procurar serviços especializados e autoridades competentes. É importante evitar incentivar a vítima a responder à violência com mais violência, pois isso pode aumentar os riscos e dificultar a resolução do problema. 


  • Por que é importante combater o bullying?

Combater o bullying é fundamental para garantir que as crianças e adolescentes possam estudar e conviver em ambientes seguros e respeitosos. A prevenção também ajuda a reduzir os impactos que a violência pode provocar na saúde emocional, na vida escolar e nas relações sociais.


O Dia Mundial de Combate ao Bullying reforça justamente essa necessidade: combater a violência não deve ser uma ação apenas de uma data do calendário, mas um compromisso contínuo de toda a sociedade. 



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